Operação realizada na madrugada deste domingo (10) não foi comunicada à administração da universidade e termina com seis feridos e quatro detenções.
SÃO PAULO – Uma operação da Polícia Militar para desocupar o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), na madrugada deste domingo, desencadeou uma crise institucional e de segurança no campus do Butantã. Sem aviso prévio à reitoria, a tropa de choque utilizou bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para remover cerca de 150 estudantes que ocupavam o local desde quinta-feira. O balanço parcial aponta seis feridos graves e um clima de incerteza sobre a continuidade do semestre letivo.
A intervenção teve início por volta das 4h15. Relatos de estudantes e vídeos registados por telemóveis mostram momentos de pânico conforme a PM avançava pelos corredores do prédio administrativo. De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a retirada foi marcada por truculência excessiva, incluindo a formação de um “corredor polonês” para golpear os manifestantes que tentavam deixar o edifício pacificamente.
Em nota oficial emitida poucas horas após o ocorrido, a Reitoria da USP declarou-se surpresa com a ação. “A universidade não foi avisada e nem consultada sobre o momento ou os meios desta operação. Repudiamos qualquer forma de violência dentro de nossa comunidade”, afirmou a nota assinada pelo gabinete do reitor Aluisio Segurado. A administração reconheceu que as negociações estavam travadas, mas alegava ainda buscar vias diplomáticas para o impasse.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) defendeu a legalidade da ação, afirmando que o objetivo era preservar o património público. Segundo a pasta, foram apreendidos objetos perfurantes e constatados danos em catracas e portas. Quatro estudantes foram levados ao 7º DP (Lapa) sob acusação de dano ao património e alteração de limites, sendo liberados após depoimento.
Entre os feridos, a situação mais grave é a de um aluno da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), que sofreu fratura no nariz e hematomas faciais. Outro estudante teve o braço quebrado durante a dispersão. Ambos permanecem sob observação médica na UPA Rio Pequeno.
O episódio reacendeu a chama do movimento grevista. Unidades como a Escola de Comunicações e Artes (ECA) e a FFLCH já convocaram assembleias extraordinárias para amanhã. A expectativa é que a repressão policial unifique categorias e leve a uma paralisação geral de funcionários e professores em solidariedade aos alunos, afastando qualquer perspetiva de normalização das atividades académicas nesta semana.
