No momento você está vendo Dona Rosinha lança seu primeiro livro e dá voz às memórias do Quilombo Morro Santo Antônio em Itabira
Foto: Filipe Augusto Defato

Dona Rosinha lança seu primeiro livro e dá voz às memórias do Quilombo Morro Santo Antônio em Itabira

“Memórias do Meu Quilombo” será lançado no Flitabira na próxima quinta-feira (30)

Aos 66 anos, a escritora e líder comunitária Rosemary Alvares de Souza, conhecida como Dona Rosinha, lança seu primeiro livro: Memórias do Meu Quilombo (Editora Pallas). A obra reúne 16 narrativas curtas e memórias em primeira pessoa, escritas a partir de sua vivência no Quilombo Morro Santo Antônio, em Itabira. O lançamento acontece nesta quinta-feira (30), às 19h, durante o 5º Festival Literário Internacional de Itabira (Fli Itabira), em uma mesa especial com Fabiano Piúba, secretário de Formação, Livro e Leitura do Ministério da Cultura, e a escritora Conceição Evaristo, que assina o prefácio do livro. A mediação será feita pelo escritor Marcelino Freire, e o encontro contará ainda com uma sessão de autógrafos.

O livro nasceu de um encontro durante a 3ª edição do Fli Itabira, em novembro de 2023, quando Conceição Evaristo e Fabiano Piúba visitaram o Quilombo Morro Santo Antônio. Entre conversas e café, Dona Rosinha compartilhou lembranças guardadas por décadas — histórias de resistência, dor e afeto. A força de sua narrativa inspirou o projeto que, dois anos depois, se transforma em livro.

Memórias do Meu Quilombo reúne relatos atravessados por saudades, fome, racismo e fé, mas também por beleza e solidariedade. São páginas que preservam a ancestralidade e reafirmam o direito à literatura e à história como formas de cidadania. “Se pequeno é em sua materialidade, grande, imenso, é o seu significado”, escreve Conceição Evaristo no prefácio.

A trajetória de Dona Rosinha é marcada por luta e dedicação à comunidade. Nascida em 1959, ela estudou até a oitava série e trabalhou como faxineira, balconista e vendedora. Foi presidente da Associação do Quilombo Morro Santo Antônio e da Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira, além de conselheira da sociedade civil por mais de 12 anos. Também integrou a Rede Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.

Desde a juventude, Dona Rosinha encontrou na escrita, em pequenos cadernos e cartas, uma forma de registrar o cotidiano e as memórias de seu povo. Agora, essas palavras ganham corpo em um livro que celebra a força de uma voz quilombola e a importância de manter viva a história de sua comunidade.

Deixe um comentário