A Vale S.A. anunciou, nesta sexta-feira (27), a ampliação da vida útil de suas minas em Itabira até 2053. A nova projeção representa um avanço significativo em relação à estimativa anterior, que indicava operações até 2041.
A atualização foi divulgada em relatório anual exigido para empresas listadas na bolsa dos Estados Unidos, reforçando a transparência da companhia perante investidores.
Segundo o vice-presidente Técnico da Vale, Rafael Bittar, a permanência da empresa no município está diretamente ligada à evolução tecnológica e ao melhor aproveitamento dos recursos minerais. “Itabira continua como uma das operações mais relevantes em Minas Gerais, com produção estratégica no portfólio da empresa”, afirmou.
A ampliação da vida útil das minas está associada, principalmente, ao aprofundamento do conhecimento geológico da região e ao avanço das tecnologias de processamento mineral. Esses fatores permitiram a incorporação de materiais antes considerados inviáveis, como o itabirito dolomítico, ao processo produtivo.
Com isso, houve um aumento expressivo nas reservas minerais declaradas, que passaram de cerca de 760 milhões de toneladas em 2024 para aproximadamente 1,15 bilhão de toneladas em 2025 — um crescimento de 52%.
Apesar da extensão do horizonte operacional, a empresa não prevê aumento na produção anual. De acordo com o diretor operacional do Complexo de Itabira, Diogo Monteiro, a estratégia é garantir uma operação estável e sustentável ao longo do tempo, alinhada às exigências ambientais e às expectativas da sociedade.
Outro destaque é o avanço da chamada mineração circular, que prioriza o reaproveitamento de rejeitos e reduz impactos ambientais. Em 2025, Itabira contribuiu com cerca de 1,5 milhão de toneladas de minério de ferro provenientes dessas fontes.
Desenvolvimento local e investimentos
A Vale também reforçou o compromisso com o desenvolvimento socioeconômico de Itabira, com investimentos em áreas como educação, saúde, infraestrutura e meio ambiente.
Entre os principais projetos está a captação e tratamento de água do Rio Tanque, que deve beneficiar mais de 113 mil pessoas. A obra já tem quase metade de execução e conta com investimento de R$ 1,17 bilhão.
Na área educacional, a empresa mantém parceria com a Universidade Federal de Itajubá, com aporte de R$ 160 milhões para expansão da estrutura e implantação de um hub de inovação e tecnologia. Também apoia a ampliação do curso de Medicina da FUNCESI, com investimento de cerca de R$ 20 milhões.
A continuidade das operações até 2053, no entanto, ainda depende de processos de licenciamento ambiental, que deverão ser apresentados aos órgãos competentes e discutidos com a população.
