Completar o tradicional álbum da Copa do Mundo ficou muito mais caro em 2026. O aumento no número de seleções participantes do torneio, que passou de 32 para 48 equipes, fez disparar a quantidade de figurinhas e transformou o hobby em um verdadeiro desafio financeiro para os colecionadores brasileiros.
Segundo cálculos realizados por matemáticos da FGV EMAp, o custo para completar o álbum pode variar drasticamente dependendo da estratégia adotada pelo colecionador. No cenário mais improvável — sem nenhuma figurinha repetida — o gasto seria de R$ 1.004,90. Porém, a probabilidade matemática disso acontecer é praticamente inexistente: cerca de 1 em $10^{423}$.
Na prática, quem tentar completar a coleção sozinho, comprando pacotes até conseguir todas as figurinhas, poderá desembolsar aproximadamente R$ 7.362,90. Isso porque o excesso de cromos repetidos obriga a compra de milhares de envelopes adicionais.
As trocas continuam sendo a forma mais eficiente de reduzir os custos. Um colecionador que negocia figurinhas com apenas um amigo pode gastar cerca de R$ 4.638,90. Já em grupos maiores, com dez ou mais pessoas, o valor estimado cai para R$ 2.459,90.
O principal fator para o aumento é o tamanho do álbum. A edição da Copa de 2026 terá 980 figurinhas, contra 670 da Copa do Catar, em 2022 — um acréscimo de 310 cromos. Além disso, o preço do álbum praticamente dobrou. A versão brochura passou de R$ 12 para R$ 24,90, enquanto a capa dura chegou a R$ 74,90.
Os pacotinhos também ficaram mais caros. Cada envelope custa agora R$ 7 e vem com sete figurinhas. Apesar do valor por unidade permanecer em torno de R$ 1 por cromo, o desembolso imediato nas bancas pesa mais no orçamento dos consumidores.
O impacto no bolso pode ser medido em relação ao salário mínimo. Em 2014, completar o álbum no cenário perfeito representava cerca de 18,5% do salário mínimo da época. Em 2022, esse percentual subiu para 45,2%. Agora, em 2026, o custo mínimo estimado já consome aproximadamente 62% do salário mínimo vigente, consolidando o álbum como um hobby cada vez menos acessível.
Especialistas e colecionadores recomendam algumas estratégias para evitar gastos excessivos. Participar de pontos de troca presenciais em praças, parques, bancas e shoppings é considerado essencial para diminuir o número de repetidas. Grupos em redes sociais e aplicativos também ajudam a localizar figurinhas raras e organizar negociações.
Outra alternativa é deixar para adquirir os últimos cromos diretamente pelo serviço oficial de figurinhas faltantes oferecido pela Panini, evitando continuar comprando pacotes aleatórios na reta final da coleção.
